Refletindo sobre Liberdade e Democracia

Victor Domingos

Todos os anos, no dia 25 de abril, Portugal comemora de forma bastante entusiástica o Dia da Liberdade, mantendo assim viva a memória daquele dia de 1974 em que o nosso país se libertou de um regime ditatorial, autoritário e opressivo. É um dos nossos feriados mais importantes e mesmo nós, os que nascemos pouco depois do fim da ditadura, continuamos hoje a dar o devido valor a essa importante conquista dos nossos pais.

Numa entrevista dada em 2012, dizia Noam Chomsky que “não aprendemos sobre a natureza dos sistemas de poder escutando a sua retórica”. Esta afirmação, feita a propósito de outros contextos, é carregada de uma reflexão profunda, que não é difícil de transpor para a nossa realidade mais próxima, no que se refere ao significado atual das palavras “Democracia” e “Liberdade”. É que, na verdade, basta usar muitas vezes palavras como estas para criar a ilusão de que vivemos num mundo em que todos somos tratados como iguais, a ilusão de que todos somos livres. Mas seremos mesmo? Ler mais...

Alguns apontamentos sobre a leitura de “Um Longo Acordar”

Escritor Artur Alonso Novelhe

Há dias, estive em Braga com o escritor galego Artur Alonso Novelhe a apresentar o seu mais recente romance, intitulado Um Longo Acordar. Foi uma conversa tão agradável quanto reveladora de algumas das circunstâncias e inquietações que serviram de palco e matéria para a escrita desta obra. Para quem não pôde estar presente, sobretudo os que ainda não tenham tido a oportunidade de ler o livro, aqui partilho algumas das minhas impressões iniciais sobre esta obra.

O título “Um Longo Acordar” é, desde logo, ele próprio um prenúncio daquilo que o leitor encontrará – uma viagem longa, carregada de reflexão e que, eventualmente, o conduzirá a uma espécie de epifania, durante ou após a leitura da obra. Não se trata, pois, de uma alusão a um sono prolongado como no célebre conto infantil da bela princesa adormecida, mas sim a um processo de crescimento pessoal e social que requer, necessariamente, o suporte basilar do próprio tempo. Ler mais...

Um poema traduzido para italiano (inclui áudio)


il sogno di un’empatia impossibile
discorso illeggibile come la tua volontà
lo sproloquio usurato del poeta vecchio e tonto

sai come comunicare il mio dolore
come se fosse tuo di diritto e
intanto
la vita termina qui
dove cominci a pronunciarti

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Apresentação de "Um Longo Acordar", de Artur Alonso Novelhe

Livro Um Longo Acordar, do escritor galego Artur Alonso Novelhe, será apresentado na Livraria Centésima Página, em Braga

No próximo sábado, dia 7 de outubro, às 17h30, estarei em Braga com o escritor galego Artur Alonso Novelhe, na Livraria Centésima Página, a apresentar o seu mais recente livro, "Um Longo Acordar". Trata-se de um romance filosófico que, por entre a narrativa, toca em vários temas muito interessantes e atuais. Um livro que convida a uma reflexão profunda e que certamente não deixará nenhum leitor indiferente.

A Catalunha e o estado atual da Democracia


O que se tem passado nos últimos dias na nossa vizinha Catalunha (nota: este artigo de José Pacheco Pereira é uma excelente análise resumida do tema) é escandaloso e deveras preocupante do ponto de vista de quem acredite na importância da democracia.

Portugal sabe bem, por experiência própria e relativamente recente, o que é viver num estado que não tolera a discussão de ideias políticas, e onde a divergência ideológica é aniquilada pela força e por leis que servem os interesses instalados de alguns em detrimento do bem geral da sua população. Entretanto, temos uma Europa cúmplice do estado espanhol nos seus sucessivos atropelos à liberdade democrática. A mesma Europa que curiosamente admite ou promove referendos e processos de autonomia noutras regiões fica agora em silêncio enquanto Madrid impede os catalães de expressarem livremente e de forma pacífica o que pensam sobre a governação da sua terra. Ler mais...

Porque hoje é dia da Poesia...

“Por


nesse olhar que foge de toda a alteridade
há talvez um certo prazer em arrebanhar a nostalgia e o amor
impugnando e rabunhando a toda a força a exceção intrínseca

queres ratificar o medo
como supremo soberano da empatia possível

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Opinando sobre a opinião

“Máquina

Irritam-me sobremaneira as pessoas que acham que sabem tudo, mas sobretudo essas que opinam como se detivessem conhecimento absoluto sobre um determinado assunto, quando na verdade só sabem que gostam de mostrar que sabem. Ou talvez nem isso. Ter razão é mais importante do que resolver problemas. Mesmo que a única razão seja a da vaidade de se mostrar ignorante sem que os outros se apercebam.
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Poema inédito

o sonho de uma empatia impossível
discurso ilegível como a tua vontade
o paleio roto do poeta velho e tonto

sabes como comunicar a minha dor
como se fosse tua por direito e
no entanto
a vida termina aqui
onde começas a pronunciar-te

nessa hora todo eu sou apenas
um irreversível erro de cálculo
na geometria correta e complexa do universo
como se o meu destino não fosse o de lhe moldar a face
como se o amor não fosse possível
no silêncio absoluto de mim e de ti
como se em silêncio eu te não dissesse
todas as coisas belas que esperarias ouvir
e que sem dúvida te são devidas

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Porque um dia chega aquele momento em que a hora é de escrever...

Como ler livros na Era Digital - uma introdução ao mundo dos ebooks


Há três anos atrás, publiquei aqui um pequeno apanhado sobre as várias opções disponíveis para ler ebooks e um pequeno vídeo sobre como ler livros no iPad. Algumas coisas foram mudando entretanto no mundo da tecnologia, por isso pensei em partilhar convosco uma pequena atualização sobre este assunto.

Para ler livros em formato digital (ebooks) há cada vez mais opções disponíveis. Muitos de nós – por vezes mesmo sem o saber – temos em casa ou trazemos sempre connosco um aparelho capaz de armazenar e apresentar livros em formato digital, os tão falados ebooks.

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No país dos poetas

À memória de
Sophia de Mello Breyner Andresen,
que completaria hoje 95 anos

“Praia

Nos dias que correm, ler é considerado uma traição, um ato tão inútil quanto desrespeitador da ordem pública e dos bons costumes. Ler é um ultraje que ofende os mais elevados e nobres preceitos morais, que estipulam que há uma hora certa para começar a trabalhar, que há uma hora certa para acordar, que há uma hora certa para atender às imperiosas necessidades fisiológicas da nossa fraqueza humana, que há uma hora certa para comer, para beber, para urinar e defecar, e todas essas coisas que têm por força de ser feitas, que há uma hora certa para falar - e muitas mais horas certas para ficar calado -, uma hora certa para lavar os pratos ou varrer o chão, uma hora certa para sacudir tapetes e fazer a cama e lavar a roupa, uma hora certa para trazer à luz os filhos que hão de ser da pátria e do mundo mais do que nossos, uma hora certa para ouvir, uma hora certa para assistir a programas medíocres de televisão ou ao tédio bem disfarçado de um qualquer jogo de futebol, uma hora certa para acatar e aceitar e suportar e assimilar, uma hora certa para pagar, uma hora certa para dormir até à hora certa de acordar outra vez para repetir todas as laborações ditadas pela rotina diária das pessoas de bons costumes e de decência comprovada.

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Apresentação do livro "Sob o Amor", do poeta Antônio Mariano

“Sob

Veio parar-me às mãos, estes dias, um exemplar do livro "Sob o Amor" de Antônio Mariano, poeta brasileiro com quem me cruzei virtualmente, há uns anos, num daqueles felizes acasos da vida. Ao autor, agradeço o presente que, como veremos, muito me agradou. Aos leitores, sobretudo àqueles que não gostam de perder um bom livro de poesia, tentarei aguçar o apetite com alguns apontamentos breves da minha leitura.

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